sábado, 13 de junho de 2015

JUNHO - MÊS DOS SANTOS POPULARES

Neste mês, decorrem por todo o país as manifestações populares de devoção, ternura e confiança não apenas ao nosso Santo António mas também a S. João e S. Pedro: grandes sardinhadas, marchas populares, bailes e "bailaricos", organizados em sua honra, conforme os gostos e as disponibilidades, para além de outras manifestações.
Não fora o meu gosto particular de estar em casa, eu acompanharia mais de perto esta tradição reinante de celebrar a grandeza destes santos com a força de uma religiosidade, imbuída de diversificados ritos, onde o sagrado e o profano se misturam e, quem sabe, até podem dar um abraço.

Apesar dos perigos em que se é absorvido, acho divertido obrigar os santos a descer à praça e trocar uns passos de dança com os seus devotos. Ainda que não lhes seja fácil, fica-lhes bem o exemplo que nos dão de como se pode e deve fazer penitência para que os outros possam ter festa. Afinal, ajudar a todos e sem olhar a quem, é uma virtude verdadeiramente cristã e sempre presente nos grandes santos.

Uma das coisas que mais me inquieta, e que não larga a minha memória, é procurar invocar e enaltecer a compreensão, a misericórdia e a inteligência de Santo António chamando-lhe “casamenteiro”, expressão que, a meu ver, desvirtua terrivelmente o nosso milagreiro e pode insinuar a existência de situações dignas de compaixão. Reconheço que, quando o objectivo a atingir é o casamento e, simultaneamente, se reconhece a grande dificuldade de lá chegar, um dos meios é uma "murmuração" àquele que sempre nos ajuda a encontrar o que já parecia irremediavelmente perdido. Contudo, prefiro ser indiferente a estes insucessos e anedóticos desastres e imploro ao santo que não se ocupe com todos os sonhos, animados e sedutores, e principalmente, nunca entregue em holocausto nenhuma vida inocente. 

Por mim, sei muito bem que até os santos têm que reagir, em muitas circunstâncias, para se libertarem de uma vez para sempre dos negócios alheios e que, pouco ou nada ajudam para o alcançar da verdadeira felicidade. 
Por mim, que acredito na comunhão e intercessão dos Santos, não vou desistir de, um dia destes, apresentar a todos os Santos (incluindo Santo António, S. Valentim e São Gonçalo de Amarante) o Livro dos Casamentos e perguntar-lhes se há maior exigência no atender dos pedidos ou se foi o amor que deixou de ser amado. No meio de tantas crises, confio que, num qualquer dia, também a crise dos poucos casamentos começará a ser vencida, não porque um homem ou uma mulher foram obrigados a ajoelhar mas antes porque o amor germinou e cresceu, floriu e frutificou, descobrindo a sua fonte e dignidade, isto é, o próprio Deus e O eterno.

Alegro-me com todos os noivos em geral e hoje, particularmente, com os "noivos de Santo António". Conforme desejamos, que este dia de felicidade nunca acabe, porque o  verdadeiro amor tem a fonte em Deus e o homem nunca deverá pôr termo àquilo que Deus convosco quis começar. Por intercessão de Santo António, que Deus abençoe todos os casamentos.

António Novais Pereira