Liberdade Religiosa em Portugal
O recente estudo da Universidade Católica Portuguesa, relacionado com a prática religiosa, concluiu que Portugal é um exemplo de liberdade e de tolerância no cenário atual da Europa e do mundo.
O inquérito, num universo de 1180, realizado em Lisboa, a residentes com idade igual ou superior a 15 anos de idade, revela que 91% dos inquiridos nunca sofreram qualquer tipo de discriminação em virtude das suas posições quanto à religião e, aqueles que falaram de discriminação encontraram-na entre os seus amigos e familiares.
Para os crentes, um dos sinais preocupantes é o facto de, entre os inquiridos, apenas 64% estarem ligados a uma religião e, destes, 54,9 %, à Religião Católica. Deste facto resulta que, por diferentes razões, quase 35% declararam não ter religião. Em outras religiões: religião evangélica (5 %), budista (0,7 %) e muçulmana (0,8 %).
Quanto à prática, o estudo indica uma redução da ligação dos católicos à fé, comparativamente às outras confissões e, no que respeita à própria oração, enquanto 81% dos evangélicos mencionam rezar todos os dias, entre os católicos, apenas 35,8% afirmaram que o fazem diariamente.
A diminuição entre os católicos e a progressão dos "sem religião" levanta à Igreja sérias questões, não apenas na área de Lisboa mas também em todo o país dado que, apesar do estudo espelhar a situação na capital, trata-se da zona com maior população e, embora de modo diferente, podemos estar perante tendências semelhantes no resto do país.
À procura das raízes ou causas
Face aos dados fornecidos pela sociologia, parece evidente que não podemos ficar indiferentes, com a tentação de ignorar ou então, proceder como a “avestruz com a cabeça na areia", fazendo de conta que nada se passa. Na certeza de que “a verdade libertará”, nada melhor do que nos reconciliarmos a realidade que nos envolve para a procurarmos transformar lançando nela a boa semente do Evangelho. A realidade interroga-nos e, na procura das razões existem principalmente duas perspectivas, a saber:
A primeira, procurar as razões fora de nós ou seja, na sociedade materialista, no hedonismo, no individualismo, no secularismo e laicismo, nas distracções e diversificadas propostas da sociedade, etc. Deste modo, repete-se a história de Adão e Eva, onde ninguém quer ser o culpado. Qual tragédia grega, a raiz dos problemas está fora de nós e nós nada podemos fazer, para além de aguentarmos e rezarmos pedindo a intervenção paciente e misericordiosa de Deus.
Um outro modo, e talvez o mais correcto, é procurar as causas dentro de nós, no que fazemos ou deixamos de fazer, no modo como realizamos a iniciação cristã, na dinamização das comunidades cristãs e no acompanhamento que fazemos depois da celebração dos Sacramentos. Frequentemente, a força de uns é fruto do dinamismo dos próprios e também da inércia dos outros.
Sendo verdade que são muitas as dificuldades na transmissão da fé, não podemos deixar de admitir que, muitas vezes, não transmitimos a fé porque pouco ou nada temos para transmitir, parecendo faltar-nos a luz, o sal e o fermento do evangelho. Sem estes segredos de vida, frutos da obra do Espírito em nós, não conseguimos apresentar a força do testemunho de vida cristã enquanto alternativa às modas ou critérios da sociedade secularizada.
dezembro/2018
António Novais

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